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Distensão Muscular ou Sensibilizcão Neural?!



Por Roberto Krug ...................................................................................................................................................................... Muitas vezes nos deparamos com atletas que sofrem distensões musculares de um mesmo grupo muscular com uma grande frequência. Um exemplo clássico é a distensão dos isquiostibias em jogadores de futebol. É de conhecimento de todos que o tempo de cicatrizacão muscular é de três semanas (21 dias) e , se o tratamento for adequado, a chance de reincidência da lesao diminui significativamente. Então, qual a explicação para os casos de reincidência mesmo com o tratamento ideal para a distensão muscular?

Quando nosso atleta refere ter sentido um “estirão” no músculo durante alguma atividade física, a avaliação subjetiva (anamnese) é muito importante. Detalhes sobre o momento da lesão (mecanismo de lesão), área de dor, profundidade da dor (superficial ou profunda), descrição da dor e história de patologias pregressas (HPP) são fundamentais para podermos diferenciar uma lesão muscular de uma sensibilização neural. A avaliação objetiva (exame físico) serve para confirmarmos a hipótese e avaliarmos o grau da lesão.

Tomemos como exemplo o atleta de futebol com aparente lesão de isquiostibias (IT). Atleta A: lesão muscular “pura” O mecanismo de lesão ocorre na fase excêntrica da contração muscular (ex.: ao final do chute, no qual os IT contraem excentricamente para controlar a flexão de quadril e extensão do joelho), o atleta é capaz de apontar o local exato da dor (ex.: junção músculo-tendínea) e relata ser uma dor que “rasga” e é superficial, podendo ou não ser reincidente. Ao exame físico, edema local, dor à contração excêntrica e/ou concêntrica e falha no tecido muscular à palpação confirmam a hipótese.

Atlteta B: sensiblização neural (nervo ciático). O mecanismo de lesão ocorre durante um movimento no qual o músculo não encontra-se sob tensão máxima, podendo ser uma contração concêntrica ou excêntrica (ex.: fase de propulsão durante um sprint), o atleta não consegue definir o local exato da lesão e muitas vezes aponta a área de dor em todo o trajeto do músculo (ex.: trajeto do musculo bíceps femoral) e relata ser uma dor profunda acompahada de rigidez muscular. Neste caso é fundamental perguntar ao atleta sobre sintomas em outras regiões, como por exemplo a região lombar e glútea (nao só dor mas rigidez também). Ao exame físico, presença ou ausência de edema local, mínima ou ausência de dor à contração excêntrica e concêntrica, restrição e reprodução de sintomas nos testes neurodinâmicos (neste caso Slump e SLR – straight leg raise), mînima ou ausência de dor a plapação do músculo. Nestes casos devemos investigar onde o nervo está sendo “sensibilizado”. As áreas mais comuns nestes casos são a região lomb

ar e o músculo piriformi, ambos comprimindo ou dificultando o movimento normal do nervo e irradiando dor para a regiao dos IT.

É importante ressaltar que na lesão muscular “pura” também ocorre lesão neural (em diferentes graus) e a sensibilização neural pode ou não ser acompanhada de uma lesão muscular local. A principal diferençaa com relação ao retorno ao esporte é que o atleta A terá que respeitar o tempo de cicatrização (3 semanas) enquanto o atleta B poderá retornar ao esporte competitivo antes do periodo de 3 semanas uma vez que a causa dos sintomas tenha sido tratada.

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